Caso Sunamy: investigação apura atendimento em UPA de Copacabana
A morte da estudante de Direito Sunamy Miranda Fischlewitz, de 21 anos, continua sendo alvo de investigação da Polícia Civil e vem gerando grande repercussão dentro e fora das redes sociais. O caso ocorreu na manhã de 30 de maio de 2026, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, e é apurado pela 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), sob o Registro de Ocorrência nº 012-06545/2026.
Sunamy era técnica de enfermagem e também técnica em Administração. Apesar de ter concluído sua formação na área da saúde, decidiu não seguir carreira em hospitais após os estágios obrigatórios. Segundo sua mãe, a jovem ficou profundamente decepcionada com situações de precariedade e falhas no atendimento que presenciou durante sua formação, optando por mudar completamente sua trajetória profissional.
Determinada a lutar pelos direitos das pessoas por outro caminho, ingressou no curso de Direito da Universidade Santa Úrsula, onde cursava o sétimo período. Paralelamente, atuava como estagiária no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), onde completaria dois anos de estágio em agosto de 2026.
Sua morte passou a despertar questionamentos sobre os protocolos de atendimento em unidades de urgência e emergência e deu início a uma investigação que busca esclarecer se todas as condutas adotadas durante o atendimento seguiram os procedimentos previstos para um caso de possível gravidade.
Atendimento durante a madrugada está no centro da investigação
Segundo informações que integram o inquérito policial, Sunamy procurou atendimento na UPA durante a madrugada apresentando dores abdominais intensas, episódios repetidos de vômito e pressão arterial elevada.
De acordo com o relato apresentado por sua mãe às autoridades, no primeiro atendimento teria sido prescrita apenas uma medicação para controlar os vômitos. Ela afirma que a filha solicitou hidratação por via intravenosa devido ao estado de desidratação provocado pelos vômitos, mas o pedido não teria sido atendido. Ainda segundo esse relato, o médico teria orientado que a paciente ingerisse água e aguardasse na recepção para que a medicação fizesse efeito.
A mãe relata ainda que, durante esse período de espera, a pressão arterial de Sunamy teria alcançado aproximadamente 200 por 130 mmHg, permanecendo elevada mesmo após o atendimento inicial. Essas informações fazem parte dos elementos que estão sendo analisados pela investigação.
Conforme o depoimento prestado pela mãe, em um segundo atendimento outra médica plantonista teria prescrito dois comprimidos de captopril, solicitado exames laboratoriais e um eletrocardiograma. Na avaliação da família, essas medidas deveriam ter sido adotadas ainda nas primeiras horas do atendimento, hipótese que será analisada tecnicamente pelas autoridades.
Outro ponto apresentado no inquérito é o relato de que, já com agravamento do quadro clínico, Sunamy teria informado que sentia forte dor no peito e pedido para ser internada ou transferida para uma unidade de maior complexidade. Segundo a mãe, a jovem afirmou que "o coração estava doendo" e chegou a solicitar que fosse acionado o protocolo conhecido como "Vaga Zero". Ainda de acordo com esse relato, a paciente permaneceu aguardando na recepção até a troca de plantão, quando sofreu um colapso.
Esses fatos fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Civil, que busca verificar se os protocolos assistenciais previstos para esse tipo de atendimento foram devidamente observados e se houve eventual falha na assistência prestada.
Laudos, exames e prontuários passam por análise pericial
Além dos depoimentos, os documentos médicos produzidos durante o atendimento passaram a ocupar papel central na investigação.
Entre os exames analisados está o laudo laboratorial realizado poucas horas antes da morte de Sunamy, que registra leucocitose de 17.670 leucócitos com desvio à esquerda. De acordo com especialistas, esse achado pode ser compatível com um processo infeccioso importante, embora sua interpretação dependa da análise conjunta do quadro clínico, do exame físico e dos demais resultados obtidos durante o atendimento.
Outro dado constante no exame aponta potássio de 3,07 mEq/L, nível abaixo dos valores de referência, alteração que pode estar associada à perda de líquidos decorrente dos episódios repetidos de vômito e ao quadro de desidratação.
Os investigadores também analisam os registros eletrônicos do prontuário médico, os horários dos atendimentos, solicitações de exames, evolução clínica registrada pela equipe de saúde e as informações constantes na certidão de óbito.
Segundo informações que constam na investigação, um dos objetivos da perícia é verificar se existe compatibilidade entre os sintomas apresentados pela paciente, os exames realizados, os registros médicos e as condutas adotadas ao longo da madrugada.
Caso sejam identificadas inconsistências ou eventual descumprimento dos protocolos assistenciais, caberá à investigação apurar se houve negligência, imperícia, imprudência ou outra responsabilidade prevista em lei. Até o momento, entretanto, nenhuma conclusão oficial foi divulgada pelas autoridades.
Caso repercute nas redes sociais e mobiliza pedidos por esclarecimentos
A morte de Sunamy também ganhou ampla repercussão nas redes sociais, onde milhares de usuários passaram a acompanhar o andamento da investigação.
Entre os influenciadores que se manifestaram está Daniel Vasconcellos, conhecido como Vascon, que publicou conteúdos cobrando transparência e uma apuração rigorosa dos fatos.
Outro influenciador que repercutiu o caso foi Rei da Rota, que utilizou suas redes sociais para demonstrar indignação com o atendimento relatado no inquérito. Em suas publicações, classificou o episódio como um possível caso de negligência médica e defendeu que todas as circunstâncias sejam esclarecidas pelas autoridades, com responsabilização caso irregularidades sejam comprovadas.
A repercussão ampliou o debate sobre protocolos de classificação de risco, tempo de espera, monitoramento de pacientes em observação e estrutura das unidades de pronto atendimento, temas frequentemente discutidos por especialistas em saúde pública.
Enquanto isso, o caso permanece sob análise da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), que continua reunindo depoimentos, documentos, registros eletrônicos, imagens e laudos periciais para esclarecer todas as circunstâncias que envolveram a morte de Sunamy Miranda Fischlewitz.
Sem conclusão definitiva até o momento, a investigação segue em andamento. Paralelamente, a mãe da jovem afirma que continuará acompanhando cada etapa da apuração e buscando justiça pela morte da filha, na expectativa de que todas as circunstâncias sejam esclarecidas e que eventuais responsabilidades sejam definidas pelas autoridades competentes.
Por: Dayane Cardoso